Após quase 50 dias desde a sua estreia nos cinemas, “Homem com H”, drama biográfico sobre a trajetória de Ney Matogrosso, foi lançado na Netflix. Essa curta distância temporal entre o lançamento nos cinemas e a disponibilização do título em uma plataforma de streaming reacendeu discussões sobre regulamentação, acessibilidade e a força do cinema. Isso porque o longa chegou a Netflix mesmo ainda estando em cartaz nos cinemas nacionais; e mesmo ainda sendo capaz de alcançar o top 10 dos filmes de maior bilheteria da semana.
No entanto, de acordo com os dados da Parrot Analytics, líder global em análise de mídia e entretenimento, “Homem com H” registrou o seu pico de demanda após a estreia na Netflix. Ou seja, a estratégia adotada impulsionou o engajamento e consumo do filme. Desenvolvida pela Parrot, a demanda engloba buscas online, interações em redes sociais, consumo em sites de vídeos e em plataformas open-streaming, mapeando toda a jornada de descoberta e interação do consumidor com o conteúdo, e quantificando a popularidade de séries, filmes e talentos na economia de atenção.
Durante os seis primeiros dias disponíveis na plataforma, o longa registrou no Brasil uma média de demanda de 57.5 vezes a média de todos os títulos mapeados pela Parrot Analytics, patamar que menos de 1% das produções conseguem alcançar. No mesmo período, “Homem com H” alcançou a primeira posição entre os títulos de maior demanda do mercado brasileiro, independente do país de origem, gênero ou plataforma. Considerando a perspectiva da Netflix, ter a produção em seu catálogo se mostrou um acerto frente a concorrência.
Com um pico de demanda de quase 110 vezes a média de todos os títulos, o longa tem o primeiro domingo disponível na Netflix como o dia de maior demanda, superando o dia da estreia nos cinemas. Além disso, esse patamar também supera os melhores índices alcançados por produções como “Karate Kid: Lendas”, “Premonição 6: Laços de Sangue” e “Missão: Impossível - O Acerto Final” no mercado brasileiro.
Outro ponto de destaque é a expansão internacional do filme, já que o lançamento na Netflix impulsionou a performance em outros mercados, especialmente em Portugal. Desde o lançamento no streaming, “Homem com H”, em seu pico, conseguiu alcançar o segundo lugar entre os títulos de maior demanda do mercado português, uma marca significativa para a exportação do audiovisual brasileiro. Entre os mercados de destaque após lançamento no streaming, Estados Unidos, Espanha, Argentina e Alemanha também são países onde o filme alcançou sólidos patamares de demanda.
A Força dos Dramas Biográficos
Filmes biográficos tem sido uma categoria de sucesso no cinema nacional e uma maneira de homenagear nomes importantes da história brasileira. Se “Ainda Estou Aqui” se tornou o primeiro filme brasileiro a ganhar um Oscar, nas décadas anteriores filmes como “Dois Filhos de Francisco”, “Olga”, “Cazuza – O Tempo Não Para” e “Chico Xavier” são exemplos de dramas biográficos que arrastaram milhões de brasileiros para o cinema.
“Homem com H” se destaca ao prestar uma homenagem a Ney Matogrosso ainda em vida, também impactando a demanda do cantor. Segundo os dados da Parrot Analytics, Matogrosso foi o talento de maior demanda no mercado brasileiro entre os dias 17 e 22 de junho, com um patamar impressionante de 190 vezes a média de todos os talentos mapeados pela empresa. Nesse período, o filme já estava disponível na plataforma de streaming.
Aos 83 anos, o cantor superou políticos, influenciadores, estrelas internacionais e atletas em plena Copa do Mundo de Futebol de Clubes, para assumir a primeira posição no ranking. Considerando apenas atores, Jesuíta Barbosa, intérprete de Matogrosso no filme, assume a liderança no mercado brasileiro com uma média de demanda de 95.5 vezes a média de todos os talentos no mesmo período.
“Homem com H” reacende não só o interesse por uma das figuras mais vanguardistas da música brasileira, como também discussões entre cinema e streaming. No final de 2024, o governo federal regulamentou em decreto a obrigatoriedade de reserva para filmes brasileiros em salas de cinema, a famosa “cota de tela”. A importância desse debate permanece quando comparado o número de salas destinadas para filmes internacionais frente a filmes brasileiros.
A demanda do filme reforça o potencial das plataformas de streaming como catalisadoras, especialmente quando existe um sólido apelo popular. No entanto, a discussão de exclusividade e janelas de exibição aponta para um maior desafio enfrentado para o cinema enquanto meio e no impacto desse retorno para o audiovisual brasileiro.

