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A influência do universo coreano no entretenimento ocidental

23 July, 2025

Nos últimos anos, a Coreia do Sul consolidou sua posição como uma potência cultural global. O que começou como um movimento regional ganhou força e se transformou em um fenômeno internacional, impactando decisões criativas da indústria do entretenimento ocidental. Em 2020, Parasita fez história ao se tornar o primeiro filme de língua não inglesa a vencer o Oscar de Melhor Filme. No ano seguinte, Round 6 se tornou um dos maiores sucessos da Netflix, quebrando recordes e abrindo caminho para novos investimentos; com a plataforma de streaming se comprometendo a investir cerca de US$ 2,5 bilhões em conteúdos coreanos ao longo de quatro anos.

Esse impulso não é pontual. De acordo com estimativas da Parrot Analytics, empresa líder global em análise de mídia e entretenimento especializada em mensuração de demanda e no valor de um conteúdo, os títulos coreanos foram o segundo maior motor de receita entre os originais de língua não inglesa nas plataformas de streaming no último trimestre de 2024. Essas produções ficam atrás apenas dos conteúdos japoneses, que há décadas cultivam uma base fiel e ativa de fãs por conta das suas animações. Ou seja, mais do que agradar ao público, os conteúdos coreanos também geram retorno financeiro.

Essa força tem ultrapassado as fronteiras da Ásia e influenciado diretamente a produção de conteúdo em outros países. De acordo com a imprensa especializada, a TV Globo, por exemplo, estuda uma nova linha de novelas com elementos dos doramas, narrativas mais curtas e centralizadas em um elenco reduzido. Nos Estados Unidos, essa influência é ainda mais visível. Enquanto Round 6 ganha uma versão norte-americana, a Netflix já colhe os frutos de mais uma produção com DNA coreano.

Lançada em junho deste ano, K-Pop: Demon Hunters é uma animação norte-americana que bebe diretamente da estética e do universo do K-pop. A trama acompanha um grupo de cantoras que, além de bem-sucedidas, caçam secretamente demônios para proteger o mundo. Voltado ao público mais jovem, o filme alcançou o segundo maior pico de demanda global entre todos os filmes originais de streaming lançados em 2025, segundo dados da Parrot Analytics. Além disso, a trilha sonora da produção também refletiu o apelo comercial ao chegar ao segundo lugar na principal parada de álbuns dos EUA, a Billboard 200, sinalizando a força desse cruzamento entre música, cultura pop e audiovisual.

O sucesso não é aleatório. Os dados da Parrot Analytics indicam que três dos cinco artistas musicais com maior média de demanda global no primeiro semestre de 2025 são coreanos, uma evidência do protagonismo contínuo da Coreia no setor. Além disso, cerca de 60% da audiência desses artistas está concentrada na geração Z, público essencial para o engajamento multiplataforma e para o sucesso de produtos como Demon Hunters. Durante sua semana de estreia, o filme alcançou uma demanda exceptional, em 20 dos quase 100 mercados monitorados pela Parrot, rendendo um patamar de mais de 32 vezes a média dos títulos analisados. Os Estados Unidos lideraram o consumo, mas o Brasil também apresentou um desempenho expressivo, ocupando a sétima posição no ranking global e reforçando o apelo que esse tipo de narrativa tem junto ao público brasileiro.

O que se observa hoje é uma mudança de paradigma. O entretenimento coreano não se limita mais à exportação de conteúdos prontos, ele inspira, contamina criativamente e estabelece novas linguagens. De Hollywood às produções nacionais, há uma abertura cada vez maior para esse diálogo intercultural, e, com ele, surgem novas possibilidades de coprodução, colaboração criativa e expansão de audiência. A influência coreana parece ter se tornado parte estrutural da indústria global. Nesse movimento, além de impulsionar o consumo de seus produtos, a Coreia do Sul também fortalece seu soft power, estimula o turismo e amplia o reconhecimento da sua identidade cultural em escala mundial.

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